VIRGÍNIA BICUDO

 

BICUDO, Virgínia Leone (1915 -  )

Natural de São Paulo - SP, foi a primeira candidata a psicanalista não médica no Brasil. Professora normalista, em 1930; educadora sanitária, pelo Instituto de Higiene e SaúdedaUniversidade deSão Paulo, em 1932; bacharel em Ciências Sociais pela Escola de Sociologia e Política, em 1945. Iniciou sua carreira em 1932, como "educadora sanitária" pelo Instituto de Higiene Pública de São Paulo.

Contratada, em 1933, pela diretoria do Serviço de Saúde Escolar,  passou a trabalhar na Seção de Higiene Mental Escolar, dirigida por Durval Marcondes, onde exerceu a "função de 'visitadora psiquiátrica social', correspondente próxima do que, mais tarde, tornou-se a profissão de psicólogo" (SAGAWA, 1996, p.103). Tornou-se a primeira candidata à Psicanálise na América Latina, iniciando sua análise didática em 1937 com a Dra. Adelheid Lucy Koch (1896-1980); passou a membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo - SBPSP em 1945 e a analista didata em 1955. Foi uma das fundadoras do primeiro núcleo psicanalítico da América Latina, o Grupo Psicanalítico de São Paulo, constituído oficialmente em 5 de junho de 1944, com a Dra. Adelheid Koch, Dr. Durval Bellergarde Marcondes, Dr. Flávio Rodrigues Dias, Dr. Darcy de Mendonça Uchôa e Frank Philips.

Viaja para Londres e ingressa na formação do Instituto de Psicanálise da Sociedade Britânica, de 1955 a 1960; faz análise didática com Frank Philips e supervisão com a Dra. Esther Bick. Participa de várias atividades de um curso para psicólogos na Tavistock Clinic, de 1955 a 1957. Quando volta a São Paulo em 1960, ocupa-se de duas grandes tarefas: formar analistas e difundir a Psicanálise. Assume a presidência da segunda Diretoria do Instituto de Psicanálise em 1962, permanecendo até 1975 através de sucessivas reeleições. Devido à  formação não médica, exerceu forte influência na admissão de candidatos não exclusivamente médicos na SBPSP.

O seu empenho na difusão da Psicanálise no Brasil através da grande imprensa está particularmente registrado num livro publicado sob o título Nosso mundo mental, criado a partir de um programa semanal na Rádio Excelsior. Em 1951, passou a ocupar uma seção fixa de página inteira, aos domingos, na Folha da Manhã, sob o mesmo título. Foi Diretora Editorial da Revista Brasileira de Psicanálise, da qual participou em cargos diferentes de 1967 a 1979. Foi professora contratada na cadeira de Psicologia da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo; professora Chefe do Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e professora na Escola de Sociologia e Política. Outra importante contribuição de Virgínia Bicudo foi o trabalho de introdução à análise de crianças e formação de analistas, juntamente com Lygia Alcântara Amaral,  no Instituto de Psicanálise de São Paulo. Pioneira da Psicanálise em São Paulo, foi também uma desbravadora, com idéias arrojadas e politizadas sobre a função social do psicanalista.

Publicações:

BICUDO, V. L. Características da produção psicanalítica da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Correio Fepal - Federação Psicanalítica da América Latina, São Paulo, 1987.

BICUDO, V. L. Contribuição para a história do desenvolvimento da Psicanálise em São Paulo. Arquivos de Neuropsiquiatria, São Paulo, v. 6, n. 1, 1948.

BICUDO, V. L. Memória e Fatos. Revista IDE, São Paulo, n.18, 1989.

BICUDO, V. L. Nosso mundo mental. Instituição Brasileira de Difusão Cultural, 1956.

BICUDO, V. L. O Conselho Regional de Psicologia homenageia Durval Marcondes. Alter, Brasília, v. 8, n. 2, 1978.

BICUDO, V. L. O Instituto de Psicanálise: órgão de ensino da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Alter,Brasília, v. 6, n. 3, 1976.

Fontes:

Arquivos da Sociedade de Psicanálise de São Paulo. Dados pessoais e currículos dos membros.

BARCELOS, R. Algumas anotações biográficas da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. São Paulo, 1976. Mimeografado.

BICUDO, Virgínia Leone. Depoimento. São Paulo, 29 set. 1989. 1 cassete (90 min): VHS. Depoimento concedido a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo para elaboração do Projeto Memória.

CARVALHO, Cíntia Ávila de. Os psiconautas do Atlântico Sul: uma etnografia da psicanálise. Campinas: UNICAMP, 1998.

ENTREVISTA com Virgínia Bicudo. Alter, Brasília, v. 15, n. 1, 1996.

GALVÃO, L. A. P. Notas para a história da psicanálise em São Paulo. Revista Brasileira de Psicanálise, v. 1, n. 1, 1967.

NOSEK, Leopold (Org.). Álbum de família: imagens, fontes e idéias da psicanálise em São Paulo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1994.

OLIVEIRA, Carmen Lúcia Montechi Valladares de. A implantação do movimento psicanalítico na cidade de São Paulo. 2000. Texto debatido em um dos grupos dos Estados Gerais da Psicanálise. Disponível em: <http://www.geocities.com/HotSprings/Villa/3170/CarmenLuciaValadares.htm>. Acesso em: fev. 2001.

ROUDINESCO, Elisabeth, PLON, Michel (Org.). Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. Título original:Dictionnaire de la Psychanalyse.

SAGAWA, Roberto Yutaka. A construção local da psicanálise. Marília: Ed. Interior/ Psicanálise, 1996.

SAGAWA, Roberto Yutaka. A história da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. In: NOSEK, Leopold (Org.) Álbum de família: imagens, fontes e idéias da psicanálise em São Paulo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1994.

SAGAWA, Roberto Yutaka. A psicanálise pioneira e os pioneiros da psicanálise em São Paulo. In: FIGUEIRA, Sérvulo A. (Org.). Cultura da psicanálise. São Paulo: Brasiliense, 1985.

SAGAWA, Roberto Yutaka. Os inconscientes no divã da história. 1989. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

SAGAWA, Roberto Yutaka. Redescobrir as psicanálises. São Paulo: Lemos, 1992.

SÉRIO, Nádia Maria Ferreira. Reconstruindo Farrapos: a trajetória histórica da SPRJ: instituição e poder. 1998. Tese (Doutorado em História) - Universidade Federal Fluminense, Niterói.

Marina Massi

 

Fonte: Dicionário biográfico da psicologia no Brasil: Pioneiros / Autor(a): Regina Helena de Freitas Campos (org.) Imago Editora - Rio de Janeiro - 2001 - 461 p.

 



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