(21) 2334-0830

Instituições

Instituições:

Academia Paulista de Psicologia

Academia Paulista de Psicologia

A entidade, com sede na rua Pelágio Lobo, 107, na cidade de São Paulo, é pessoa jurídica, sem fins lucrativos, regida por estatuto e regimento interno, ambos registrados no 1º Cartório de Títulos e Documentos, na cidade de São Paulo. Foi fundada em 31 de dezembro de 1979, ano em que se comemorou internacionalmente o centenário da psicologia científica. A entidade é mantida por seus próprios membros. A exemplo do que é verifi cado em outras áreas do conhecimento, como a medicina, a história, as letras e a educação, um grupo de psicólogos paulistas julgou que era chegado o momento de fundar uma academia devotada à psicologia. De fato, o desenvolvimento desse ramo do saber assumira considerável importância, graças à existência de cursos universitários, especialmente de pós-graduação, à atuação de especialistas no exercício profissional, à signifi cativa produção de pesquisas e de publicações e à frequente realização de congressos e outros eventos científi cos, nacionais e internacionais. Foi concebida (e permanece) como uma entidade que congrega psicólogos proeminentes, que tenham publicado obras científicas ou didáticas de reconhecido valor ou ainda que sejam personalidades de grande significação na docência, na pesquisa, no exercício profissional e/ou na prestação de serviços na área da psicologia. Tem por finalidade principal resgatar e preservar a história da psicologia, como também estimular o progresso dessa ciência no país, mediante outorga de prêmios, realização de produções científicas, construção de acervo literário e iconográfico, implementação de projetos e ações em prol do reconhecimento público da ciência psicológica no país, em especial no Estado de São Paulo. O corpo acadêmico está estruturado em 40 cadeiras, identifi cadas por número, nome e patrono, além de um quadro de membros correspondentes e de membros beneméritos. Os patronos foram escolhidos quando da fundação da academia entre eminentes fi guras da intelectualidade paulista que contribuíram, de modo destacado, com os primeiros passos para impulsionar o progresso da psicologia no Brasil, especialmente em uma época histórica de pioneirismo. Exemplos de alguns patronos de diferentes áreas de especialidades: psiquiatria – Francisco Franco da Rocha; educação – Manuel Bergström Lourenço Filho; sociologia – Fernando de Azevedo; filosofia – Laerte Ramos de Carvalho; pediatria – Pedro de Alcântara Machado; engenharia – Roberto Mange; etnologia – Herbert Baldus; religião – Paul Siwek. As cadeiras da academia são ocupadas por membros titulares, psicólogos notáveis residentes no Estado de São Paulo. O quadro de membros correspondentes também é constituído por eminentes profissionais, mas residentes em outras regiões do país ou no exterior, por serem assim designados. É dirigida por uma diretoria eleita entre os seus membros titulares para um mandato de três anos, composta de presidente, vice-presidente, secretário-geral, primeiro e segundo secretários, primeiro e segundo tesoureiros. Desde sua fundação, em 1979, teve, respectivamente, os seguintes presidentes: Carlos Del Nero, que ocupa a cadeira n. 7, cujo patrono é Oscar Freire; Mathilde Neder (cadeira n. 14, patrono Anibal Silveira); Samuel Pfromm Netto (cadeira n. 5, patrono José Rodrigues Arruda); Oswaldo de Barros Santos (cadeira n. 15, patrono Roberto Mange); Nelson de Campos Pires (cadeira n. 40, patrono, Walter Barioni), e, atualmente, Arrigo Leonardo Angelini, que ocupa a cadeira n. 4, cujo patrono é Antonio Ferreira de Almeida Júnior. Existem quatro comissões de trabalho, nomeadas pela diretoria entre os seus titulares, a saber: comissão de contas, comissão de termos, comissão de publicações e comissão de bibliografia, e, atualmente, duas comissões especiais: comissão de cidadania e direitos humanos e comissão de eventos. Estas últimas foram criadas dada a importância destinada aos eventos e também à defesa dos direitos humanos pelos acadêmicos, inclusive pelos comprometidos diretamente com essas ações. Em termos de rotina, tem-se uma variedade de reuniões da diretoria para deliberações sobre assuntos administrativos, indicações de membros correspondentes e de representantes de comissões de trabalho, entre outros temas de sua competência.Registram-se as assembleias ordinárias e extraordinárias, incluindo deliberações sobre reformas estatutárias, eleição da diretoria e de membros titulares, entre outros assuntos que lhe são próprios. No contexto dessas atividades, destacam-se as sessões solenes de posse de acadêmicos, titulares e de membros correspondentes, como também outorga de prêmios e homenagens póstumas aos ex-integrantes da academia. Além do seu caráter formal, essas sessões são abrilhantadas por um contexto científico dos discursos pronunciados pelos novos titulares, homenageando os patronos e os acadêmicos falecidos, de cujas cadeiras tomam posse. Acrescem-se as exposições dos laureados sobre os temas respectivos dos trabalhos premiados. Quanto às realizações científicas, registram-se também conferências e cursos intensivos de pós-graduação, sobre questões históricas da ciência psicológica e suas perspectivas futuras, novas teorias ou atualização das conhecidas áreas da psicologia, entre outros temas importantes. Nessa mesma linha, encontram-se exposições do acervo da academia, principalmente de suas publicações e de fotos raras e de incontestável valor histórico. Mais ainda, distinguem-se nessas atividades os projetos que a academia vem realizando para o resgate do legado de vida e obra dos acadêmicos, mediante documental iconográfico, gravações em áudio e em DVDs. Destes, O legado da psicologia para o desenvolvimento humano, sob os auspícios do Ministério da Cultura, constando de DVDs que contemplam a vida e a obra de acadêmicos e que são distribuídos a cem bibliotecas de psicologia do país e aos Conselhos Federal e Regionais de Psicologia. Salienta-se também, entre as atividades da academia, com precisa regularidade, a publicação do Boletim Academia Paulista de Psicologia, porta-voz de suas realizações e, particularmente, de progressos científicos alcançados pela ciência psicológica no país.

Referências
ACADEMIA PAULISTA DE PSICOLOGIA. Acervo Técnico e Científico. São Paulo: APP, 1979-2007.
ACADEMIA PAULISTA DE PSICOLOGIA. Disponível em: <http://www.appsico.org.br/>. Acesso em: 17 ago. 2008.
ACADEMIA PAULISTA DE PSICOLOGIA. O legado da psicologia para o desenvolvimento humano: resgate da vida e obra de acadêmicos titulares através de depoimentos de Arrigo L. Angelini e Aidyl Pérez-Ramos. DVDs. Bauru: APP, 2006.
ACADEMIA PAULISTA DE PSICOLOGIA. Relatórios de Atividades das Diretorias. São Paulo: APP, 1979-2007.
ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE PSICOLOGIA. Boletim. São Paulo: APP, 1980-2006.
LOPES, A. M. P. Apresentação. Sistema de subsídios para o ensino de psicologia. Disponível em: <http://www.bvs-psi.org.br/subsidio.htm>. Acesso em: 17 ago. 2008.

Aidyl M. Q. Pérez-Ramos

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Associação Brasileira de Psicologia (ABP)

Associação Brasileira de Psicologia (ABP)

Fundada em outubro de 1954, em São Paulo, a partir da sugestão de Annita Marcondes Cabral, tendo em vista a criação do curso de Psicologia na USP nesse mesmo ano, a Associação Brasileira de Psicólogos teve uma destacada influência na história da psicologia no Brasil, em especial no contexto de regulamentação da profissão. A ideia inicial era agrupar um restrito grupo de psicólogos, com formação acadêmica, interessados na regulamentação da profissão no país. Dentre os fundadores, destacam-se Arrigo Angelini, Oswaldo de Barros Santos e outros como: Carolina Martuscelli Bori, Carlos Paes de Barros, Aniela Meyer Ginsberg, Odette Lourenção Van Kolck, Theodorus Van Kolck e Dante Moreira Leite. Já em fins dos anos de 1950 e início dos anos de 1960, algumas associações e sociedades de psicologia se engajaram no debate de uma série de questões, pois alguns segmentos da sociedade brasileira entendiam que, no âmbito da psicoterapia, a psicologia deveria ser subordinada à medicina. Opinião, por exemplo, que era publicamente defendida por Nilton Campos, médico psiquiatra e professor de psicologia da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por conta de tais restrições, a primeira proposta de regulamentação da profissão de psicólogo, elaborada pela Associação Brasileira de Psicotécnica (depois, Associação Brasileira de Psicologia Aplicada – ABPA), em 1954, sofreu muitas objeções. Assim, a Associação Brasileira de Psicólogos, em conjunto com a Sociedade de Psicologia de São Paulo e professores da USP, elaborou, em 1958, um substitutivo ao projeto de regulamentação que tramitava na Câmara dos Deputados, acompanhado por justificativa redigida por Dante Moreira Leite. Desse substitutivo, que incluiu a expressão “solução de problemas de ajustamento” para designar a prática clínica, resultou a Lei 4.119 de 27/08/1962. A Associação Brasileira dos Psicólogos deu continuidade ao processo de regulamentação da profissão e, com base no documento preparado por Oswaldo de Barros Santos, iniciou ampla discussão para a elaboração do anteprojeto do Código de Ética Profissional. Tal documento foi discutido na assembleia geral dos sócios realizada em julho de 1964, por ocasião da XVI Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Ribeirão Preto – SP, e aprovado em 12 de julho de 1966 na assembleia geral realizada durante a XVIII Reunião da SBPC em Blumenau – SC. Nessa reunião houve a recomendação de que o código fosse adotado por todos os psicólogos e que, enquanto não se organizasse legalmente o Conselho de Psicólogos do Brasil, ou entidade congênere, caberia à Associação Brasileira de Psicólogos e às sociedades regionais de psicologia receber denúncias a respeito do exercício da profissão de psicólogo por pessoas sem o devido registro. Ainda com a perspectiva da regulamentação do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais, a Associação Brasileira dos Psicólogos promoveu três encontros nacionais. O I Encontro Nacional das Sociedades de Psicologia ocorreu em 13 e 14 de março de 1971, em São Paulo, tendo como temática a discussão de estratégias para a institucionalização dos órgãos reguladores da profi ssão. O II Encontro Nacional das Sociedades de Psicologia, realizado em 28 e 29 de janeiro de 1972 em Barbacena – MG, abordou temas como: a criação de uma entidade nacional que coordenasse as atividades das sociedades de psicologia; a definição do dia 27 de agosto como Dia do Psicólogo; a regulamentação da Lei 5.766 (20/12/1971), que criara o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e os Conselhos Regionais; e a discussão de questões de ordem prática referentes ao exercício da profissão, como por exemplo a aposentadoria. No III Encontro Nacional das Sociedades de Psicologia, realizado de 3 a 5 de junho de 1973 no Rio de Janeiro, as discussões enfatizaram a necessidade de realização de eleições para a diretoria do CFP e a questão da ética profissional. Em 20 de dezembro de 1973, representada por seus presidente e vice-presidente, respectivamente Odette Lourenção Van Kolck (que, na ocasião, foi eleita como membro suplente) e Theodorus Van Kolck, a Associação Brasileira de Psicólogos, por convocação do Ministério do Trabalho e Previdência Social, participou da criação do CFP, assim como da eleição indireta para a primeira diretoria. Destaca-se que a atuação da Associação Brasileira de Psicólogos não se restringiu ao Brasil. No plano internacional, filiou-se à International Union of Psychological Sciences (IUPsy), representando essa organização no país. De fato, Aniela Meyer Ginsberg e Arrigo Angelini, no período de 1966 a 1972, representaram a Associação Brasileira de Psicólogos nos Congressos Internacionais de Psicologia organizados pela IUPsy. Além disso, a Associação participou da organização do XIV Congresso da Sociedade Interamericana de Psicologia, realizado em São Paulo de 14 a 19 de abril de 1973. Na gestão de Mathilde Neder, que teve início em 1975, foi votada uma alteração do estatuto e aprovada a mudança de nome para ABP. Tal decisão implicou uma mudança estrutural expressiva, principalmente a partir de abril de 1978, quando essa nova ABP foi efetivamente organizada. Pretendia-se formar uma federação que englobasse as outras associações brasileiras de psicologia. Houve a adesão das sociedades de psicologia de São Paulo, do Distrito Federal e do Rio Grande do Sul, da Sociedade Mineira de Psicologia e da Associação Brasileira de Psicologia Aplicada. Posteriormente, o número de sociedades agregadas passou a seis, com a entrada da Sociedade de Psicologia de Mato Grosso do Sul. Todavia, essa associação entre as diferentes associações e sociedades não se desenvolveu muito. Em artigo publicado em fevereiro de 1990, Odette Lourenção Van Kolck já afirmava que a ABP estava atravessando período crítico. Alguns anos depois, Franco Lo Presti Seminerio, último presidente da ABP, encaminhou à Sociedade Brasileira de Psicologia de Ribeirão Preto (SBPRP) uma proposta de fusão e sucessão, o que levou a assembleia dos sócios dessa sociedade, por ocasião da XXIV Reunião Anual, em 1994, a aceitar a condição de depositária dos arquivos da Associação Brasileira de Psicologia, a fim de preservar sua importância e história. De qualquer forma, apesar da SBPRP ter incorporado a ABP em 1994, não é possível registrar com exatidão a data do fi m da instituição, pois no currículo Lattes do professor Seminério consta sua condição de presidente reeleito da ABP em fins de 1999, o que sugere que a Associação tenha existido pelo menos até essa data.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA APLICADA. 40 anos de história. Rio de Janeiro: ABPA, 1989.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. “A Psicologia no Brasil”. Psicologia, ciência e profissão. Edição especial, dez. 1979. CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA – 6ª REGIÃO. Uma profissão chamada Psicologia. CRP-06, 20 anos. São Paulo, 1994.
CUNHA, W. H. Entrevista com o professor Walter Hugo de Andrade Cunha. Entrevistadores: Cesar Ades, Marina Massimi, Roberto de Andrade Martins. Campinas, maio 1990. Disponível em: <www.cle.unicamp.br/arquivoshistoricos/ewalter.pdf>. Acesso em: 4 dez. 2006.
MATOS, M. A. “CAROLINA BORI: A Psicologia Brasileira como Missão”. Psicologia USP. São Paulo, v. 9, n. 1, 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65641998000100009&lng=es&nrm=iso>. Acesso em: 5 maio 2007.
MORAIS, S. T. P. Professores universitários e psicólogos contam suas vidas. Tese (Doutorado em Psicologia). Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.
PESSOTTI, I. “Dados para uma História da Psicologia no Brasil”. Psicologia, ano 1, n. 1, maio 1975.
PESSOTTI, I. “Notas para uma História da Psicologia no Brasil”. In: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Quem é o psicólogo brasileiro. São Paulo: Edicon, 1988.
RUBIANO, M. R. B. Apresentando a Sociedade Brasileira de Psicologia. Disponível em: <http://www.sbponline.org.br/historico2.asp>. Acesso em: 10 ago. 2007.
THEOPHILO, R. Subsídios para a História da Psicologia do Brasil. Disponível em: <http://www.psicologia.org.br/internacional/pscl4.htm>. Acesso em: 10 ago. 2007.
VAN KOLCK, O. L. “Visão histórica da Psicologia em São Paulo”. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v. 42, n. 1, p. 155-160, 1990.
WEIL, Pierre. Manual de Psicologia Aplicada. Disponível em: <http://www.pierreweil.pro.br/Livros/ Portugues/manualdapsicologiaaplicada.htm>. Acesso em: 3 dez. 2006.

Alexandre de Carvalho Castro
Lucia Ghiringhello

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Associação Brasileira de Psicologia (SBP)

Associação Brasileira de Psicologia (SBP)

Associação científica, com sede na rua Florêncio de Abreu, 681, sala 1.104, Ribeirão Preto-SP, a Sociedade Brasileira de Psicologia é sucessora legal da Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto, fundada no primeiro semestre de 1970. A instituição nasceu nas aulas de Ética do Curso de Psicologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto, USP, por movimento dos alunos, liderados por Ricardo Gorayeb e estimulados pela professora Angela I. S. Rozestraten. Depois envolveu os docentes da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, na época Instituto Isolado da Secretaria da Educação e hoje na Universidade de São Paulo. Seu fechamento deu-se na Assembleia Geral de Sócios realizada em 24/10/1991, quando se deliberou transformá-la em Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), tornada então sua sucessora legal. Como a SPRP, a SBP é sociedade científica de caráter e direito públicos. Assim, em 2005, teve seu nome alterado para atender a disposições legais vigentes, passando a chamar-se Associação Brasileira de Psicologia, embora continue a usar SBP em seus eventos e publicações. A SPRP teve como mantenedores os sócios, que pagavam anuidade, e as contribuições de fundações e agências de fomento para a realização das reuniões científicas. E como objetivo, promover o desenvolvimento da Psicologia como ciência e profissão. A primeira diretoria da SPRP foi composta por Reinier Rozestraten (presidente), João Cláudio Todorov (1º vice-presidente de assuntos científicos), Angela Simões Rozestraten (2º vice-presidente de assuntos éticos), Ricardo Gorayeb (1º secretário), Zélia M. M. B. Alves (2º secretário), Lino de Macedo (1º tesou reiro) e Luiz Marcelino de Oliveira (2º tesoureiro). Quanto à SBP, teve na primeira diretoria: Carolina Martuscelli Bori (presidente), Reinier Rozestraten (1º vice-presidente), Luiz M. de Oliveira (secretário-geral), Deusy G. de Souza (1º secretário), Maria Amélia Mattos (2º secretário), Heloisa H. F. Rosa (1º tesoureiro) e Célia M. L. C. Zannon (2º tesoureiro). O principal evento promovido pela SPRP foi a Reunião Anual de Psicologia, realizada ininterruptamente de 1971 a 1991, congregando profissionais e estudantes de todo o país. Como publicação institucional editou os Anais das Reuniões Anuais de Psicologia regularmente desde o I Encontro em 1971. Foi regida por estatuto e regimento interno, que sofreram ligeiras modifi cações ao longo dos anos, até seu encerramento. Seu nível máximo de decisão era a Assembleia Geral de Sócios. Tinha uma diretoria executiva, com sete membros. Seu público-alvo eram os profissionais, professores e estudantes de Psicologia e ciências afins. Tinha como funcionários as secretárias e auxiliares, em geral alunos de psicologia, contratados para colaborar na realização de congressos. Iniciou suas ações sem sede própria, utilizando-se de uma caixa postal dos Correios e dos endereços de seus diretores para recebimento de correspondência e questões legais. Em 1984 adquiriu sede própria, onde funcionaram a secretaria e os arquivos da instituição. A SPRP teve representantes em diversas regiões do país e as chamadas “divisões”, que agrupavam profissionais que atuavam na mesma área, entre elas: Divisão de Psicobiologia, Divisão de Psicologia do Desenvolvimento e Divisão de Modificação do Comportamento. Ressalta-se sua relevância para a emergência, institucionalização e expansão do campo da psicologia no Brasil, pois foi a primeira sociedade de psicologia no Brasil que teve efetiva ação nacional, suas reuniões anuais se constituíam em importante fórum para congregação de profissionais e estudantes. Na época de sua criação ainda não existia a legislação que autorizava o funcionamento dos conselhos de psicologia, e a 1ª vice-Presidência de assuntos éticos zelava pela ética no exercício profissional, até a criação dos conselhos. O fato de a Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto constituir-se, na prática, numa sociedade científica de âmbito nacional levou naturalmente à sua transformação em Sociedade Brasileira de Psicologia, SBP, sua sucessora, mantendo-se a Reunião Anual de Psicologia, mas agora em diferente cidade a cada ano. A SBP mantém também a publicação de Anais dos Encontros, mas aproveitou os trabalhos apresentados a cada ano em duas publicações: os Cadernos, especialmente com debates metodológicos, e uma revista – Temas em Psicologia. Esta, entretanto, passou em 2003 a ser uma revista científi ca eletrônica semestral, aberta à submissão de artigos em fluxo contínuo, para avaliação cega por pareceristas. A SBP é entidade civil sem fi ns lucrativos e sem vinculações políticas, ideológicas ou religiosas, tendo sua sede física no mesmo endereço da antiga SPRP, na cidade de Ribeirão Preto. Tem por finalidades: a) cola borar para o desenvolvimento científi co e técnico do país; b) promover a pesquisa, o ensino e a aplicação da Psicologia, objetivando o bem-estar humano; c) promover e facilitar a cooperação entre pesquisadores, profi ssionais e estudantes de Psicologia e áreas afins; d) defender questões de política científi ca e programas de desenvolvimento científico e técnico que atendam aos reais interesses do país; e) defender os direitos dos que ensinam e pesquisam, e dos que trabalham na aplicação dos conhecimentos psicológicos; f) zelar pela ética nas atividades científicas. Para cumprir tais objetivos, a SBP realiza anualmente uma reunião de caráter científico, promove atividades científicas, culturais e de divulgação, e publica os anais das reuniões anuais, revistas de psicologia e outros periódicos e catálogos. Interage com outras associações científi cas, formula propostas de políticas de desenvolvimento científico para a psicologia e representa a psicologia junto a agências de fomento e órgãos governamentais. Tem como fontes de recursos para sua manutenção: anuidades pagas pelos associados, valores recolhidos para inscrição nas reuniões anuais e outros eventos, patrocínio de empresas que façam divulgação durante os eventos promovidos e apoio recebido do poder público, como incentivo à realização de eventos científicos. Tem como órgão máximo de deliberação a Assembleia Geral de Associados. Tem ainda um conselho, constituído pelo presidente da associação, pelos ex-presidentes desde 1971, pelos associados honorários e por cinco membros eleitos entre os sócios; e uma diretoria, com sete membros: presidente, vice-Presidente, secretário-geral, dois secretários e dois tesoureiros.

Referências
GORAYEB, R. Revista Ciência e Cultura. História da Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto, v. 41, n. 910, p. 827-831, 1990.
ROZESTRATEN, R. J. A. (Org.). Anais da XVIII Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia. São Paulo: SBP, 1988.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOLOGIA. Atas da Diretoria. São Paulo: SBP, 2001-2007.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOLOGIA. Estatuto da Sociedade Brasileira de Psicologia. São Paulo: SBP, 1991.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOLOGIA. Programas e comunicações científicas das Reuniões Anuais. São Paulo: SBP, 1991-2004.
SOCIEDADE DE PSICOLOGIA DE RIBEIRÃO PRETO. Atas da Diretoria. Ribeirão Preto/SP: SPRP, 1970-2001.
SOCIEDADE DE PSICOLOGIA DE RIBEIRÃO PRETO. Programas e resumos das Reuniões Anuais e Anais das Reuniões Anuais. Ribeirão Preto/SP: SPRP, 1971-1991.

Ricardo Gorayeb

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (ABRAPA)

Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (ABRAPA)

A criação da Associação Brasileira de Psicotécnica, em 2 de setembro de 1949, no Rio de Janeiro, ocorreu num momento em que a psicologia começava a ser valorizada como instrumento para melhor formação de mão de obra qualificada para a indústria. Nesse contexto do início da industrialização no Brasil, os testes psicotécnicos gozavam de grande prestígio como elemento de avaliação de inteligência e aptidão profissional. Por intermédio de Emilio Mira y López, seu primeiro secretário-geral (1949 a 1964), a instituição logo se filiou à Associação Internacional de Psicotécnica, desenvolvendo as primeiras atividades voltadas para o estudo da seleção de motoristas e o diálogo com o Congresso Nacional Brasileiro sobre projetos que diziam respeito à psicotécnica. A atuação de Mira y López junto à Associação Brasileira de Psicotécnica, aliás, exemplifica o quanto essa instituição esteve imbricada ao Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP), pois Mira era diretor deste, o que implicava o intercâmbio permanente de ideias, principalmente porque as mesmas pessoas eram integrantes de ambas as entidades. Desde seus primórdios, então, sob a influência do ISOP, a Associação Brasileira de Psicotécnica estabeleceu como objetivo a luta pela regulamentação da profissão de psicólogo. Nesse sentido, elaborou um minucioso anteprojeto de lei – estabelecendo a formação regular do profissional – acompanhado de um memorial que ressaltava a importância da atuação da psicologia aplicada nos âmbitos da escola, da clínica e do trabalho. Esse material, tido como a primeira proposta para regulamentar a profissão, foi encaminhado ao Ministério da Educação (MEC) em novembro de 1953, reencaminhado com pequenas mudanças em 1957 (quando recebeu parecer favorável do Conselho Nacional de Educação) e enviado ao Legislativo em março de 1958. Em abril de 1959, a Associação Brasileira de Psicotécnica mudou seu nome para Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (ABPA), mas continuou a atuar segundo os mesmos propósitos, razão pela qual, em 1961, manteve contatos com outras associações, também pioneiras no movimento da psicologia no Brasil: a Sociedade de Psicologia de São Paulo e a Associação Brasileira de Psicólogos (dirigida então pela professora Carolina Martuscelli Bori). Estas duas instituições haviam apresentado um substitutivo ao Anteprojeto de Lei 3.825/1958 do MEC, que possibilitou a efetiva regulamentação da profissão de psicólogo, por meio da Lei 4.119 de 27/08/1962. As idas e vindas desses anteprojetos podem ser explicadas pelo fato de que a primeira proposta, apresentada no início dos anos de 1950, determinava como uma das atividades profissionais a atuação na área clínica. Como alguns segmentos do governo e da sociedade entendiam que o psicólogo deveria se limitar a ser um assistente técnico, tendo sua atuação supervisionada por um médico, estabeleceu-se um obstáculo que somente foi transposto com a proposta substitutiva das associações paulistas. Esta suprimiu o termo psicoterapia, concedendo ao psicólogo o direito de atuar na clínica dentro do que se convencionou chamar de solução de problemas de ajustamento. Após a promulgação da Lei 4.119/62, a ABPA persistiu no empenho de fiscalizar a prática profissional. Assim, encaminhou ao MEC, em 1966, outro anteprojeto de lei que visava, dessa vez, criar o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia, sendo uma das instituições que participou, com sugestões e propostas, do complexo processo de criação desses órgãos. Em virtude dessa ativa participação, o Ministério do Trabalho e Previdência Social convoca associações de psicólogos com personalidade jurídica própria, dentre elas a ABPA (representada por Clovis Stenzel e Franco Lo Presti Seminerio), a se reuniram para eleger, em 20 de dezembro de 1973, pelos votos de seus delegados, os membros efetivos e suplentes do primeiro Plenário do Conselho Federal de Psicologia (CFP). A sigla da instituição mudou no início dos anos de 1990, quando se verificou que ABPA já estava registrada por uma entidade de propaganda. A nova designação, ABRAPA, termo pelo qual a Associação Brasileira de Psicologia Aplicada passou a ser conhecida, foi oficializada em 19 de maio de 1993 com o registro de seu estatuto, não estando, entretanto, relacionada a qualquer alteração de ordem política ou epistemológica, porque correspondia apenas à necessidade de atender a um aspecto legal. Em mais de meio século de história, a ABRAPA investiu na divulgação da psicologia aplicada, em diversos congressos, encontros e eventos, dentre os quais se destacam: I Seminário Latino-Americano de Psicotécnica (1955); VI Congresso Interamericano de Psicologia (1959); I Seminário Brasileiro de Ergonomia (1974); I Encontro Nacional de Psicólogos (1977); e o V Seminário Anual Interdisciplinar (1999) – alusivo à comemoração dos seus 50 anos. No caso do Congresso da SIP realizado no Rio de Janeiro de 16 a 21 de agosto de 1959, merece destaque o fato de ter sido o primeiro realizado na América do Sul. Na ocasião, Lourenço Filho presidiu a comissão diretora dos trabalhos e, na solenidade de abertura, afirmou que os trabalhadores da psicologia nas Américas deveriam fazer de sua disciplina um instrumento útil ao desenvolvimento das nações, ao entendimento entre os homens, e, com isso, à conquista de melhores níveis de vida social. A associação criou duas publicações institucionais: o Boletim da Associação Brasileira de Psicotécnica (lançado em setembro de 1951) e ABPA: Notas e Notícias (lançado em março de 1972). A divulgação dos trabalhos científicos, no entanto, era feita revista Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada, inicialmente lançada como Arquivos Brasileiros de Psicotécnica e posteriormente Arquivos Brasileiros de Psicologia, publicação do ISOP criada em 1949, que atualmente é publicada pelo Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além de Mira y López e Manoel Bergström Lourenço Filho (presidente de 1951 a 1964), vários outros nomes relevantes para a psicologia brasileira estiveram presentes na história da ABRAPA, como João Carlos Vital (diretor da Fundação Getúlio Vargas e o primeiro presidente, de 1949 a 1951), Antonio Gomes Penna (presidente de 1964 a 1966), Antonius Benkö (presidente de 1966 a 1968), Franco Lo Presti Seminerio (presidente de 1973 a 1979), Yonne Moniz Reis (presidente de 1979 a 1982) e Fany Malin Tchaicovsky (presidente de 1982 a 1998).

Referências
MALUF, M. R. “A Participação de Psicólogos Brasileiros na Sociedade Interamericana de Psicologia: Contribuições e Perspectivas”. Revista Interamericana de Psicología/Interamerican Journal of Psychology, Porto Alegre, v. 38, n. 2, p. 323-332, 2004.
MOURA, M. L. S. Entrevista concedida a Elizabeth da Silva de Alcântara. Rio de Janeiro, 15 jun. 2007.
TCHAICOVSKY, F. M. Entrevista concedida a Elizabeth da Silva de Alcântara. Rio de Janeiro, 27 ago. 2007.
MATOS, M. A. “CAROLINA BORI: A Psicologia Brasileira como Missão”. Psicologia USP. São Paulo, v. 9, n. 1, 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65641998000100009&lng=es&nrm=iso>. Acesso em: 5 maio 2007.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA APLICADA (ABPA). 40 anos de história. Rio de Janeiro: ABPA, 1989.
THEOPHILO, R. Subsídios para a história da Psicologia do Brasil. Disponível em: <http://www.psicologia.org.br/internacional/pscl4.htm>. Acesso em: 10 ago. 2007.

Alexandre de Carvalho Castro
Elizabeth da Silva de Alcântara

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Cárcel Modelo

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Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo (ELSP)

Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo (ELSP)

A ELSP, situada na rua General Jardim, 522, Vila Buarque – São Paulo, foi fundada em 27 de abril de 1933 por um grupo de representantes da elite industrial e intelectual da sociedade paulistana que, imbuídos de uma nova mentalidade que valorizava a técnica e a ciência, objetivavam, segundo seu manifesto de fundação, a construção de organizações universitárias sólidas. Pensava-se em um centro de cultura político-social apto a inspirar interesse pelo bem coletivo, a estabelecer a ligação do homem com o meio, a incentivar pesquisas sobre as condições de existência e os problemas vitais de nossas populações, a formar personalidades capazes de colaborar eficaz e conscientemente na direção da vida social. Dentre os fundadores da ELSP, na sua maioria engenheiros, médicos e dirigentes das principais instituições de ensino de São Paulo, como a Faculdade de Direito, a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina, a Escola de Comércio Álvares Penteado e a Escola de Belas-Artes, destacam-se Roberto Simonsen, Jorge Street, Armando de Salles Oliveira, A. C. Pacheco e Silva, Raul Briquet e Andrey Dreyfuss, todos ligados ao Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT-SP), o que justifica a finalidade da formação técnica de seus profissionais para a administração pública e privada. Diante dos escassos recursos financeiros da escola, em grande parte utilizados para a contratação de professores estrangeiros, suas primeiras aulas foram ministradas em salas emprestadas pela Escola de Comércio Álvares Penteado, localizada no largo de São Francisco. A partir de 1954, a ELSP teve sua sede no casarão da rua General Jardim, em São Paulo, onde permanece até os dias atuais. Em 1935, a ELSP foi reconhecida como instituição de utilidade pública pelo governo do Estado de São Paulo, e em 1946, o governo federal, pelo Decreto-lei 9.786, reconheceu o seu curso de graduação, cujo conteúdo foi definido como currículo mínimo para o ensino de Sociologia e Política em todo o país. Tendo em vista a formação de profissionais destinados aos negócios públicos e privados, o ensino de sociologia assumiu um caráter empiricista e intervencionista, tendo forte influência da sociologia norte-americana, sobretudo da Escola Sociológica de Chicago. Característica esta que se diferencia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, criada em 1934, que buscava um ensino mais teórico das ciências sociais. Em 1939, a ESP foi incorporada à USP, como instituição complementar autônoma, status que manteve até o início da década de 1980. Com a chegada de Donald Pierson, da Escola de Chicago, em 1939, a ELSP assumiu um caráter mais acadêmico e menos intervencionista, admitindo o propósito de formação do sociólogo profi ssional. Em 1941, criou-se o primeiro curso de pós-graduação em Sociologia no país, o que atraiu muitos recém-formados da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da Universidade de São Paulo, como Florestan Fernandes. Paralelamente, começou a desenvolver-se intensa atividade relacionada a estudos e projetos encomendados por órgãos públicos e pela iniciativa privada, que perdura até hoje. Outro marco importante desse período é a publicação da revista Sociologia (1939-1966), por iniciativa de Emílio Willems e Romano Barreto. Foi Raul Briquet, médico ginecologista e obstetra, quem propôs, em 1933, o pioneiro curso de Psicologia Social à ELSP. Seu curso abordava as relações entre psicologia social, biologia e sociologia e temáticas específi cas da psicologia social: fatores psíquicos e vida social. Foram professores de Psicologia da ELSP: Noemy da Silveira Rudolfer, Aniela Ginsberg e Betti Katzenstein. Em 1937, Aniela Ginsberg tornou-se professora assistente da cadeira de Psicologia Social da ELSP. Foi levada por Noemy da Silveira Rudolfer, responsável pela cátedra de Psicologia Social na ELSP, para dirigir o laboratório de psicologia social da instituição, no qual permaneceu até 1940. Betti Katzenstein, psicóloga alemã, lecionou Psicologia na ELSP entre 1953 e 1962. Em 1941, Katzenstein e Ginsberg organizaram o Centro de Orientação Profissional, anexo ao IDORT, órgão que possuía forte ligação com a ELSP. Atualmente, a Fundação Escola de Sociologia e Política (FESP) é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, cujo fim é a manutenção de escolas voltadas ao ensino e à pesquisa em nível superior. A instituição mantém a Escola de Sociologia e Política, a Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação e a Faculdade de Administração.

Referências
AZEVEDO, M. L. B. A obra de Aniela Meyer-Ginsberg: uma contribuição para a História da Psicologia no Brasil. Tese (Doutorado em Psicologia Social). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2002.
BOMFIM, E. M. “Históricos cursos de Psicologia Social no Brasil”. Psicologia e Sociedade, v. 16, n. 2. Porto Alegre, 2004.
BOMFIM, E. M. Raul Carlos Briquet. Rio de Janeiro: Imago, 2002.
CYTRYONOWICZ, M. M. e CYTRYONOWICZ, R. Betti Katzenstein Shoenfeldt, uma psicóloga do século XX. Disponível em: <http://www.crpsp.org.br/a_acerv/pioneiros/betti/fr_betti_artigo>. Acesso em: 28 set. 2007.
FUNDAÇÃO ESCOLA SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO. Manifesto de Fundação da Escola Livre de Sociologia e Política. Disponível em: <http://www.fespsp.org.br/Mantenedora/Manifesto_de_Fundacao_da_Escola.htm>. Acesso em: 28 set. 2007.
FUNDAÇÃO ESCOLA SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO. Disponível em: <http://www.fespsp.org.br>. Acesso em: 25 set. 2007.
KANTOR, I.; Maciel, D.; SIMÕES, J. A. A Escola Livre de Sociologia e Política: anos de formação (1933-1953): depoimentos. São Paulo: Escuta, 2001.
LIMONGI, F. “A Escola Livre de Sociologia e Política em São Paulo”. In: MICELI, S. (Org.). História das Ciências Sociais no Brasil. v. 1. São Paulo: Vértice, 1989.
MAZA, F. “Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo e a elite industrial paulista”. Revista do Mestrado em Educação, UFS, v. 7, p. 67-78, jul./dez. 2003.

Andréa Soares Wuo

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (FAPSI/PUCRS)

Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (FAPSI/PUCRS)

O curso de Psicologia da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica do Rio Grande do Sul foi o primeiro curso regular de Psicologia no Brasil, instituído em nível de pós-graduação lato sensu, influenciando práticas do fazer psicológico, especialmente no Sul do Brasil. Sua instituição respondeu à necessidade de formação apropriada para profissionais que instalavam gabinetes de atendimento, tendo em vista a crescente demanda por serviços psicológicos. A faculdade teve seu marco inicial em 24 de setembro de 1950, na Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Nessa data, o reitor, Armando Câmara, sugeriu ao Conselho Universitário debater a criação do Instituto de Psicologia, no Curso de Filosofia da PUCRS. Argumentou que tal criação traria feição inteiramente nova ao curso de Filosofia a, abrindo espaços de interlocução acadêmica. Acrescentou que esse ato poderia ser compreendido como preparação para instituir um curso de Psicologia. Dentre os colaboradores convidados, estava Victor de Britto o Velho, professor de Psicologia Educacional da Faculdade de Filosofia da Universidade do Rio Grande do Sul. O conselho concordou com a proposta e o reitor se comprometeu a organizar o programa para constituição e funcionamento do instituto. Em 1951, quando à Universidade foi outorgado o título de Pontifícia, o conselho reuniu-se novamente, indicando uma comissão para organizar o instituto. Essa foi constituída por Armando Câmara, Victor de Britto o Velho e Ernani Fiori. Em 1953, o conselho decidiu convidar para ministrar cursos e conferências o húngaro Bela Székely, que havia estudado psicanálise em Viena com Freud e atuava apoiado na teoria psicanalítica, e, em função da II Guerra Mundial, havia se transferido para a Argentina. Em maio de 1953, ele veio à PUCRS, proferiu palestras e ministrou dois cursos: Análise e Síntese Psicopedagógica e Da Psicanálise à Análise Existencial. Os eventos se iniciaram em 13 de maio e terminaram em 30 de junho. Nesta data, após aprovação do Conselho, foi fundado o Instituto de Psicologia e criado o curso lato sensu de pós-graduação em Psicologia. A coordenação dos trabalhos ficou ao encargo do diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, o irmão marista José Otão. Esse designou uma comissão para auxiliá-lo na elaboração dos estatutos, presidida pelo irmão marista Paulo Anísio Mosca de Carvalho. Contava ainda com a participação do irmão lassalista Henrique Justo, dos irmãos maristas Hugo Danilo e Humberto Luiz, além de Pedro Mitchel. O estatuto explicitava os seguintes objetivos para o Instituto: “formar psicólogos, prestar assistência psicológica à criança e ao jovem na escola, ao homem no trabalho e às pessoas emocionalmente desajustadas”. O curso visava preparar profissionais que atuassem em psicologia escolar, organizacional ou do trabalho e psicoterapia. Para se matricular, os candidatos deveriam apresentar diploma de curso superior. O primeiro diretor do Instituto foi o Irmão Paulo Anísio Mosca de Carvalho. Era filósofo e desenhou a estrutura curricular básica do curso. No segundo semestre de 1953, efetivou-se o curso preparatório de Psicologia, oferecendo disciplinas básicas para ingresso no curso regular. Inscreveram-se 58 candidatos. Em 1954, teve início o curso regular, com a duração de dois anos. Em 1955, formaram-se os primeiros Assistentes em Psicologia. Em 1956, o irmão Hugo Danilo assumiu a direção. Em 1958, ampliou-se o currículo, estendendo sua duração para três anos. Os concluintes recebiam, então, o título de Psicólogos. Após a regulamentação da profissão, em 1962, foi feita revisão curricular com vista ao reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação e Cultura. Em 1963, o curso passou a funcionar como bacharelado e licenciatura, com duração de cinco anos. O reconhecimento ocorreu em 19 de março de 1965, pelo Decreto 55.849. Em 1969, o Instituto desvinculou-se da Faculdade de Filosofia, assumindo o status de unidade acadêmica. Era diretor o irmão Pedro Finkler. Até esse ano, o curso funcionava nas dependências do Colégio Nossa Senhora do Rosário, uma escola marista de Porto Alegre. A partir de então, foi transferido para o campus universitário, no mesmo prédio da Faculdade de Direito. Em 1971, em franca expansão, o Instituto instalou oficialmente o Centro Psicotécnico, com atividades de seleção para futuros calouros da Universidade e outras organizações que necessitassem desses serviços. Também nesse ano foi lançada a Revista PSICO, ainda hoje editada. Em 1972, foi instituído o mestrado em Psicologia Aplicada, o primeiro programa de pós-graduação no estado. As atividades enfocavam psicologia organizacional e clínica. Também foi inaugurado o Laboratório de Psicologia Experimental. A expansão do Instituto exigiu maior espaço físico. Assim, em 1973, o Instituto foi transferido para o prédio 17 do campus universitário, sede do Colégio Champagnat, escola marista de ensino fundamental e médio. Em 1975, na gestão de Henrique Justo, foi implantado o Serviço de Atendimento Psicológico, órgão de apoio e campo de estágio, que oferecia atendimento à comunidade. Em 1976, o Instituto passou a realizar atividades junto ao Departamento de Pediatria do Hospital Universitário. Em 1978, o enfoque escolar foi integrado ao mestrado. Entretanto, por carecer de condições julgadas necessárias para seu funcionamento, o programa teve seu credenciamento suspenso pelo Conselho Federal de Educação, em 1983. A diretora desse período, a professora Ítala Puga, se empenhou na reativação da pós-graduação, obtida em 1987, quando se estabeleceu o mestrado em Psicologia Social e da Personalidade, com coordenação da professora Juracy Marques. Nesse período, também se desenvolveram cursos de especialização e práticas em comunidades e instituições fora da universidade. Em 1994, na gestão do professor Celito Mengarda, o programa de pós-graduação expandiu-se, inaugurando a área de concentração em Psicologia Clínica. No ano seguinte, instituiu-se o doutorado em Psicologia. Também na gestão do professor Celito Mengarda , em 1998, o Instituto passou a ser denominado Faculdade de Psicologia. No decorrer das gestões das professoras Jacqueline Moreira, Lílian Stein e Blanca Werlang tiveram continuidade os processos de transformação. Destacaram-se, na graduação, mudanças curriculares e implantação do curso noturno. No âmbito da pós-graduação, em 30 de agosto de 2007, a Câmara de Pós-Graduação da Universidade aprovou a criação da área de concentração Cognição Humana, ampliando as possibilidades de ensino, pesquisa e intercâmbio acadêmico.

Referências
BRASIL. Diário Ofi cial da União. Decreto 55.849 de 19/03/1965: Concede reconhecimento ao Curso de Psicologia do Instituto de Psicologia da PUCRS, 1965. FACULDADE DE PSICOLOGIA. Porto Alegre: PUCRS. Disponível em: . Acesso em: 20 jul. 2007. JOÃO, F. História da PUCRS. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000.
JUSTO, H. “O Instituto de Psicologia da PUCRS de 1976-1978”. Psico, n. 16, v. 1, p. 71-77, 1979. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL (PUCRS). Conselho Universitário. Ata de sessão ordinária. Porto Alegre, 02 abr. 1951.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL (PUCRS). Conselho Universitário. Ata de sessão ordinária. Porto Alegre, 08 mar. 1953.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL (PUCRS). Conselho Universitário. Ata de sessão ordinária. Porto Alegre, 30 jun. 1953.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL (PUCRS). Conselho Universitário. Ata de sessão ordinária. Porto Alegre, 22 out. 1953.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL (PUCRS). OTÃO, J. Correspondência ao Presidente da Comissão de Registro de Psicólogos. Porto Alegre, 11 set. 1964.
SCHROEDER, H.; FAUSTINO, J. Síntese Histórica do Instituto de Psicologia da PUCRS. Tomos I e II. Porto Alegre: PUCRS – Instituto de Psicologia. Relatório não publicado, 1990.
Helena Scarparo

Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP)

Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP)

Instituição de ensino superior dedicada à formação em níveis de graduação e pós-graduação, à pesquisa e à extensão na área de psicologia. Situa-se na rua Professor Mello Moraes, 1.721, no bairro do Butantã, São Paulo – SP. O IPUSP foi criado em 1969 como uma unidade isolada, separando-se da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras (FFCL) da USP, no contexto da reforma universitária brasileira (Lei 5.540/1968). Tem, na origem, o curso de graduação em Psicologia, criado pela Lei Estadual 3.862, de 26/05/1957, que funcionou na FFCL até a regulamentação da profissão, quando teve seu currículo alterado para atender à Lei 4.119, de 1962. As disciplinas que compunham o primeiro currículo eram as anteriormente oferecidas em três contextos: a cátedra de Psicologia Educacional, tendo à frente Arrigo Leonardo Angelini, que funcionava junto ao curso de Pedagogia e que, entre outros, oferecia um curso de especialização em Psicologia Educacional; a cátedra de Psicologia, cuja responsável era Annita de Castilho e Marcondes Cabral e funcionava junto ao curso de Filosofia; e disciplinas básicas oferecidas a outros cursos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, tais como: Fisiologia, Biologia e Ciências Sociais. A fundação do IPUSP foi pautada pelas propostas da reforma, que propunham a substituição da organização por cadeiras (cátedras) pela estrutura de departamentos. Trata-se de uma unidade da Universidade de São Paulo, que é uma instituição pública autárquica estadual, mantida pelo governo do Estado de São Paulo. Tem como objetivos formar psicólogos e pesquisadores na área de Psicologia, produzir conhecimento científico relevante nas áreas de Psicologia Clínica, Social e do Trabalho, Escolar e Educacional e Experimental e oferecer serviços de extensão universitária. Entre seus fundadores destaca-se Arrigo Leonardo Angelini, seu primeiro diretor (1970-1974). Na condição de diretores do IPUSP, seguiram-se Dante Moreira Leite (1974-1976), Arrigo Leonardo Angelini (1976- 1980), Maria José Aguirre (1980-1984), Arrigo Leonardo Angelini (1984-1988), Zélia Ramozzi-Chiarottino (1988-1992), Sylvia Leser de Mello (1992-1996), Lino de Macedo (1996-2000), César Ades (2000-2004), Maria Helena Souza Patto (2004-2008) e Emma Otta (2008-2012). Na história de formação e consolidação do IPUSP, alguns nomes, entre outros, devem ser mencionados: Dante Moreira Leite, pelo estabelecimento de um padrão de ensino e de pesquisa marcados pela erudição, rigor e ineditismo; Carolina Martuscelli Bori, pela militância acadêmica e política; Rachel Lea Rosenberg, pela introdução do pensamento humanista em psicologia; Luiz Carlos Nogueira, referência nos estudos da perspectiva lacaniana no meio universitário. Em suas áreas de conhecimento, são pesquisadores representativos desta instituição: Arno Engelmann, César Ades, Dora Selma Fix Ventura, Ecléa Bosi, Elsa Lima Gonçalves Antunha, Geraldina Porto Witter, João Augusto Frayze-Pereira, Lino de Macedo, Geraldo José de Paiva, Maria Amélia Nogueira Azevedo, Maria Amélia Mattos, Maria Helena Souza Patto, Norberto Abreu Silva Neto, Odette Lourenção Van Kolck, Rachel Rodrigues Kerbauy, Ryad Simon, Therezinha Moreira Leite, Sylvia Leser de Mello, Zélia Ramozzi-Chiarottino, Walter Trinca. O instituto edita os seguintes periódicos: Revista Psicologia USP (desde 1990); Revista Imaginário (desde 1993); Estilos da Clínica (desde 1996); Cadernos de Psicologia Social do Trabalho (desde 1998) e Revista de Etologia(desde 1999). O IPUSP é composto por quatro departamentos: Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade (PSA); Psicologia Social e do Trabalho (PST); Psicologia Experimental (PSE) e Psicologia Clínica (PSC). Os departamentos são geridos por um chefe e um conselho departamental e a unidade como um todo tem um diretor e uma congregação, na qual estão representados os alunos, funcionários e as várias categorias de docentes. Possui cinco programas de pós-graduação em Psicologia: Psicologia Clínica, Psicologia Social, Psicologia Experimental, Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, e Neurociências e Comportamento. Fazem parte de sua estrutura os serviços-escola ligados aos departamentos, respectivamente: Psicologia Escolar e Aconselhamento Psicológico, ao PSA; Orientação Profissional e Centro de Psicologia Aplicada ao Trabalho, ao PST; Clínica Psicológica, ao PSC. Complementa esta estrutura um conjunto de 37 laboratórios de estudo e de pesquisa, departamentais, inter departamentais e interinstitucionais. Sua clientela principal são estudantes de graduação, pós-graduação (mestrado e doutorado) e de cursos de extensão universitária (atualização, aperfeiçoamento, difusão, especialização). Há, também, a clientela atendida pelos serviços-escola, bem como órgãos públicos e privados para os quais o instituto presta assessoria. Atualmente, conta com um corpo docente de 97 professores, todos com grau mínimo de formação em nível de doutorado, além de 20 psicólogos, vários deles com formação em níveis de mestrado e doutorado, que atuam em atividades de apoio ao ensino e à pesquisa nos diversos serviços-escola e laboratórios.

Referências
BOTELHO, E. Z. F. Os fios da história: reconstrução da história da Psicologia Clínica na Universidade de São Paulo. Tese (Doutorado em Psicologia). Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989.
FREITAG, B. Escola, Estado e sociedade. São Paulo: EDART, 1977.
INSTITUTO DE PSICOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Instituição – Histórico. Disponível em: . Acesso em: 25 maio 2007.
INSTITUTO DE PSICOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. 30 anos do Instituto de Psicologia. CD-ROM. São Paulo, 2002.
MORAIS, S. T. P. Professores universitários e psicólogos contam suas vidas. Tese (Doutorado em Psicologia). Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.

Maria Luisa Sandoval Schmidt
Marilene Proença Rebello de Souza

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP/UFRJ)

Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP/UFRJ)

A história do IP/UFRJ não é linear: há um intenso trânsito de personagens, peças laboratoriais, sedes, dispositivos legais, mudanças de instituições, funções e até mesmo seu desaparecimento por um curto período após sua criação. Dos componentes dessa história, o mobiliário do antigo laboratório pôde garantir alguma identidade, ainda que a partir dos anos de 1960 este tenha passado a perder importância. Por outro lado, os decretos legais alavancaram mudanças institucionais, ainda que muitas delas não tenham se realizado. Para esta história três principais componentes serão destacados: os decretos legais, as cátedras universitárias e o Laboratório de Psicologia. O laboratório teve sua primeira fundação em 1924, planejada por Gustavo Riedl, diretor da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro (atual Instituto Municipal Nise da Silveira) e entusiasta do movimento da higiene mental. Para isso contratou o psicólogo polonês Waclaw Radecki e comprou um cabedal de instrumentos diretamente da Alemanha e da França: estesiômetros, ergógrafos, denamômetros, reflexômetros, acusiestiômetros, tonômeros, tropoestisiômetros, cromatoeste siômetros, taquitoscópios, mnemômetros, polígrafos e oscilômetros. Os trabalhos realizados no laboratório foram publicados, ao menos desde 1928, em um conjunto de Annaes (disponíveis na Biblioteca da Academia Brasileira de Medicina). Apesar dos instrumentos laboratoriais, a minoria é de cunho experimental, sendo a maior parte ligada à psicotécnica e ao diagnóstico psiquiátrico. A partir de 19/03/1932, iniciou-se a configuração legal do instituto, a começar pela sua própria fundação, através do Decreto-lei 21.173, que viria da conversão do antigo laboratório na Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro, ficando sob a dependência imediata da Secretaria de Estado de Educação e Saúde Pública, enquanto não fosse instalada a Faculdade de Educação, Ciências e Letras. Suas funções seriam ligadas à formação, pesquisa e aplicação da psicologia à pedagogia, medicina, indústria e técnica judiciária. Na época a Universidade do Rio de Janeiro, de cunho federal, era apenas um dispositivo próforma, reunindo algumas escolas como a de Medicina, Direito e Politécnica. A perspectiva de engajamento do instituto numa universidade conduziu Radecki e seus colaboradores a elaborarem um programa de ensino de Psicologia composto de Psicologia e Psicologia Aplicada. Sete meses depois, em 24/10/1932, outro Decreto-lei (21.999) encerrou as atividades do instituto, concluindo uma primeira fase da sua história, antes que este se vinculasse à universidade, ao ensino e à formação profissional. Decretava-se seu fechamento tendo em vista a exposição de motivos apresentada pelo ministro de Estado dos Negócios da Educação e Saúde Pública. Alguns possíveis motivos não esclarecidos no decreto foram: 1) pressão dos psiquiatras contra uma possível profissionalização dos psicólogos; 2) pressão dos grupos católicos contra uma psicologia naturalista e chefiada por um estrangeiro; 3) o esgotamento de sua dotação orçamentária dada na expectativa (não realizada) do seu auto-financiamento. Desmotivado, Radecki seguiu em 1932 para Argentina e Uruguai, onde deu sequência a seu trabalho. Em 05/07/1937 o IP novamenteressurgiu por outro decreto (a Lei 452), que organizava a Universidade do Brasil (UB) no contexto da reforma educacional de Gustavo Capanema. Nesta lei, o instituto teria por finalidade cooperar com as faculdades de Filosofia, Ciências e Letras, de Educação, e a de Política e Economia. Apesar dos vínculos agora com a universidade e a latência de quase cinco anos, o que garantia alguma identidade do novo instituto com o antigo é o mobiliário instrumental do antigo laboratório, além do esforço dos antigos colaboradores de Radecki, como Jayme
Grabois, Euryalo Cannabrava e Edgard Sanchez, na sua recriação. Este, como deputado e membro da Comissão de Cultura da Câmara de Deputados, pôde atuar diretamente sobre Capanema na formulação da lei. Outros Decretos relevantes para delineamento do instituto foram o 8.393, de 17/12/1945 (relativo à autonomia universitária), designando-o comoInstituto Científico e de Pesquisa, e o 21.321, de 18/06/1946 (responsável pelo estatuto da UB), determinando o instituto como estabelecimento dedicado ao ensino, ciência e pesquisa, apto a cooperar com as escolas e faculdades da UB em benefício da comunidade e de acordo com os interesses universitários. Neste período, que iria até o ano de 1964, o instituto pôde ter uma sede, em um prédio no centro da cidade (a partir dos anos de 1960 no Campus da Praia Vermelha), verba regular, assistentes contratados (a partir de 1941 com Eliezer Schneider) e periódico próprio, o Boletim do Instituto de Psicologia, criado por Antonio Gomes Penna, que circulou de 1950 a 1973 (sendo retomado em 2006). Contudo, dois aspectos presentes nos decretos de 1945 não se cumpriam: a raridade das atividades de ensino e ausência das de extensão, abertas à comunidade. Quanto ao ensino de Psicologia, este não apenas não era regular no instituto, como também estava dividido
entre diversas instâncias da universidade: havia uma cátedra na Faculdade de Educação e outra na Faculdade Nacional de Filosofia
(FNF). Para o surgimento do instituto na sua forma atual nos anos de 1960, três condições foram necessárias: 1) a Lei 4.119/1962, que regulava o ensino e a profissionalização da psicologia; 2) a criação do curso de Psicologia na FNF em 1964; 3) os Decretos-lei 53 (1966) e 252 (1967) e o Decreto 60.455-A (1967), que conduziram à criação da UFRJ em substituição à UB, a extinção da FNF, desmembrada em diversas escolas, e a incorporação do seu curso de Psicologia ao instituto, enquanto órgão de ensino e pesquisa, vinculado ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas. O atendimento à comunidade (e as atividades de extensão) só foi iniciado em 1967, com a criação da Divisão de Psicologia Aplicada (DPA), sob coordenação de Isabel Adrados. Um item final cabe à introdução da pós-graduação
no instituto. Apesar da proposta de um primeiro programa em psicologia, que operou na década de 1980, o instituto conta atualmentecom três programas: o de Teoria Psicanalítica, proposto em 1988; o de Psicologia, transferido do ISOP/FGV em 1991; e o de Ecologia Social
(EICOS), surgido em 1992. Programas que lançaram periódicos como Documenta, Psicologia & Psicanálise, Ágora e Sephora, além de manterem os Arquivos Brasileiros de Psicologia, o mais antigo do Brasil. Nessa história recheada de personagens, decretos, cátedras, criações, extinções e fusões, o único componente persistente é o do velho mobiliário instrumental do laboratório. Este encontra-se à espera de um espaço de memória que lhes confira o papel de fio condutor dessa história.

Referências
CENTOFANTI, R. “Radecki e a psicologia no Brasil”. In: ANTUNES, M. A. N. (Org.) História na Psicologia no Brasil. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2004. Manual do aluno. Rio de Janeiro: Instituto de Psicologia, 1987.
PENNA, A. G. História da Psicologia no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Imago, 1992.

Arthur Arruda Leal Ferreira

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Instituto Superior de Estudos e Pesquisas em Psicologia da Fundação Getulio Vargas

Instituto Superior de Estudos e Pesquisas em Psicologia da Fundação Getulio Vargas


Criado em 8 de agosto de 1947 por Luiz Simões Lopes, então presidente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para atender a uma necessidade que se integrava ao projeto desenvolvimentista do presidente Getúlio Vargas, dentro do zeitgeist da época: racionalizar o mercado de trabalho. Na ocasião, Jorge Flores era diretor executivo da FGV e realizou as primeiras contratações: de Emilio Mira y López e de Edwiges Florence. Foi extinto em 1990, mas, durante esse período, teve importante papel na história da psicologia brasileira. Mira y López, seu primeiro diretor (1947-1964), foi convidado por João Carlos Vital, da FGV, para que participasse da criação de um órgão voltado para a seleção e adaptação do trabalhador brasileiro. Com isso, foi criado o ISOP, cujo objetivo principal era a difusão e o ensino da Psicologia Aplicada em seus campos de atuação, ou seja, Psicologia do Trabalho, Educacional e Clínica. Na ocasião, a meta principal de orientação profissional era a de aperfeiçoar o processo de escolha profi ssional, e era mais voltado para os jovens das classes média e alta. Na primeira década de sua existência, o ISOP teve um papel pioneiro na formação de especialistas em seleção e orientação profissional, através dos inúmeros cursos que ministrava, no provimento de serviços nessas áreas e no desenvolvimento e implantação de técnicas de Psicologia Aplicada ao Trabalho. Em 1949, foi fundada a revista Arquivos Brasileiros de Psicotécnica, denominada posteriormente Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada (1968) e, finalmente, em 1979, Arquivos Brasileiros de Psicologia, ainda hoje em circulação, agora na UFRJ e sob formato eletrônico. Inicialmente, era voltada principalmente para artigos que tratassem de temas relativos à prática profissional. Essa revista, pioneira na publicação de artigos científicos em Psicologia, foi de fundamental importância na consolidação e divulgação da pesquisa nacional na área, incluindo trabalhos de autores de diversas instituições e estados brasileiros. De 1957 a 1967, com o aumento progressivo da demanda pelos serviços oferecidos e capacitação de profissionais, houve a consolidação do trabalho do ISOP e uma importante atuação nas discussões, que levaram à regulamentação da profissão, em 1962. Dentre os trabalhos realizados estavam: exame de orientação educacional e profissional; serviços de seleção de pessoal para empresas; exames psicotécnicos dos condutores de veículos do Rio de Janeiro; além de estudos sobre testes, como o Teste de Apercepção Temática (TAT), o Teste de Diagnóstico Miocinético (PMK), o Teste Rorschach, entre outros. Periodicamente, organizava também cursos para preparação de técnicos em vários ramos e já desenvolvia algumas pesquisas. A fundação da Associação Brasileira de Psicotécnica (depois Associação Brasileira de Psicologia Aplicada – ABRAPA) representou uma outra iniciativa pioneira desta época, embora não tenha sido muito bem-sucedida, já que foi a Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto que assumiu um caráter nacional, acabando por tornar-se a Sociedade Brasileira de Psicologia. A partir de 1967, houve uma mudança de orientação, assumindo o ISOP um papel de centro de pesquisas e de pós-graduação. Com isso, transformou-se sua estrutura, que passou a ser constituída de cinco centros. Entre eles, um Centro de Pós-Graduação em Psicologia Aplicada (CPGPA), onde foi criado um curso de mestrado em 1971, e outro, voltado para o desenvolvimento, adaptação e padronização de instrumentos psicológicos (Centro de Estudos de Testes e Pesquisas Psicológicas – CETPP). O curso de pós-graduação do ISOP foi o segundo do Rio de Janeiro e nele se formaram importantes professores e pesquisadores atuais do país, responsáveis, mais tarde, pela criação de novos programas de pós, como Celso Pereira de Sá, que coordenou a criação do mestrado em Psicologia e Práticas Socioculturais na UERJ. Esta última fase foi rica em pesquisas e desenvolvimento de instrumentos e de realização de grandes projetos em convênio com órgãos governamentais, entre eles: Programa de Reabilitação Profissional do INSS; Diagnóstico Nacional de Desenvolvimento Educacional do MEC/INEP, com a construção e padronização das primeiras baterias de testes nacionais, envolvendo 110 mil estudantes; pesquisas sobre temas diversos como acidentes de trabalho, alfabetização, tanatologia, características psicossociais da população brasileira etc. O principal responsável por essas mudanças foi Franco Lo Presti Seminerio, diretor do ISOP de 1970 até o fechamento da instituição. De 1977 a 1988, houve a continuação do trabalho da década anterior, ainda com tendência a grandes projetos em convênio com órgãos públicos, mas esses começavam a escassear. Nesse período, a pós-graduação se firmou. Em 1977, iniciou-se o programa de doutorado, no qual se formaram vários pesquisadores de universidades públicas brasileiras. Criadas anteriormente, a testoteca e a biblioteca do ISOP foram centros valiosos de consulta para pesquisadores e profissionais em geral, e funcionaram até o final da instituição. O declínio do ISOP começou com uma primeira crise em 1988, que resultou em muitas demissões e mudança de local, do espaço tradicional na rua da Candelária, 6 para a Cinelândia e depois para a sede, na praia de Botafogo. O prédio original, uma joia arquitetônica, permaneceu fechado até 2006, quando a FGV o recuperou para sediar alguns de seus cursos. A crise de 1988 culminou com a lastimável extinção do ISOP pela FGV, juntamente com outros sete órgãos, entre eles o Instituto Superior de Estudos Avançados em Educação (IESAE), um importante centro de estudos superiores de educação, durante a gestão de Celina Vargas do Amaral Peixoto em 26 de junho de 1990. Essa extinção, acompanhada da demissão dos últimos pesquisadores e professores, representou uma perda para a psicologia brasileira, nem sempre totalmente apreciada, além de uma perda pessoal inestimável para os que lá trabalhavam. Poucos foram os que deram continuidade à sua carreira de pesquisadores.

Referências
D’ARAUJO, M. C. “O ISOP e os primórdios da Psicologia Aplicada”. In: D’ARAUJO, M. C. (Org.). Fundação Getúlio Vargas: concretização de um ideal. Rio de Janeiro: Editora da FGV, 1999.

Maria Lucia Seidl-de-Moura

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)

Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)

A ideia de criação de cursos de Psicologia no Brasil é anterior à lei que regulamentou o exercício dessa profi ssão no país. Em 1956- 1957, o MEC resolveu implementar o dispositivo da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) que previa a orientação vocacional nas escolas de ensino médio. Como era necessário formar pessoal qualificado para esse trabalho, o MEC passou, então, a promover simpósios sobre orientação educacional. Simultaneamente, as autoridades eclesiásticas no Brasil se deram conta de que a formação de orientadores educacionais seria um campo promissor nas faculdades de Filosofia. Nesse contexto, o reitor da Universidade Católica de Minas Gerais (UCMG), padre José Lourenço da Costa Aguiar, convidou o professor Pedro Parafita de Bessa, que frequentara os simpósios do
MEC, para coordenar um curso de orientação educacional. No fi nal do primeiro ano de funcionamento desse curso (1958), padre Aguiar propôs ao professor Bessa criar um curso de Psicologia, — o qual foi convidado a coordenar. O projeto do professor Bessa apresentava a Psicologia como uma ciência do comportamento, basea da na observação e na medição. Em 9 de março de 1959, dom Serafim Fernandes de Araújo, sucessor do padre Aguiar como reitor, assinou a Portaria 01/59, que criava o Instituto de Psicologia Aplicada, com dois cursos: Psicologia e Orientação Educacional. Os professores Pedro Parafi ta de Bessa e Pedro Paulo Christovam dos Santos foram indicados para as funções de diretor e vice-diretor do instituto, respectivamente. Inicialmente o Instituto de Psicologia Aplicada da UCMG funcionou nas dependências da Faculdade de Filosofi a, Ciências e Letras Santa Maria, no Palacete Dantas, na praça da Liberdade, em Belo Horizonte. O curso de Psicologia da UCMG foi o primeiro criado em Minas Gerais.Em 1962, frei Ricardo (Reinier Johannes Antonius Rozestraten), recém-chegado da Europa, assumiu a direção do instituto, dando a ele uma orientação marcada pela cientifi cidade e pela preocupação com a formação do aluno. A busca da cientificidade se expressou na ênfase à psicologia experimental e nos laboratórios, que ocupavam grande espaço na estrutura e funcionamento do curso. A formação pessoal do aluno, considerada fundamento da atuação do psicólogo, traduzia-se pela exigência, aos candidatos ao vestibular, de apresentação de laudo psicológico favorável e pela oferta de atendimento psicológico individual do aluno. O cuidado com a formação pessoal do aluno constitui, até hoje, uma diretriz do currículo e uma marca do curso. Em 27 de agosto de 1962, foi aprovada a Lei 4.119, que dispunha sobre os cursos de formação em Psicologia e regulamentava a profissão de psicólogo. Esta lei determinava que se organizassem serviços clínicos e de aplicação da psicologia à educação e ao trabalho, como condição para o funcionamento dos cursos de formação de psicólogo. Assim, ainda em 1962 foram criados os Serviços do Instituto de Psicologia da Universidade Católica de Minas Gerais (SIPUC), setor responsável pela oferta de estágios aos alunos do curso e, a partir de 1972, também pelos laudos psicológicos dos candidatos ao vestibular dos cursos de Psicologia, Serviço Social e Enfermagem, então exigidos pela instituição. Seu fundador e primeiro diretor foi o professor Rozestraten, sucedido por Sílvio Ferreira. No início, os estágios se concentravam nas atividades de seleção de pessoal, sendo discretos os atendimentos clínicos. Em 1963, o instituto foi instalado na nova sede da UCMG, na avenida Brasil, 2.023. Frei Ricardo cumpriu seu primeiro mandato como diretor do instituto até 1965. Reconduzido ao cargo, passou a cuidar do reconhecimento do curso, o qual foi obtido pelo Decreto 61.870, de 08/12/1967. Segundo o Parecer 419/67, emitido pelo professor Antonio Gomes Penna, do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o curso de Psicologia da UCMG era, dentre os que conhecia, o que oferecia as melhores condições de funcionamento. Em 1970, o instituto adquiriu o estatuto de unidade autônoma da UCMG e se transferiu para o campus do bairro Coração Eucarístico. O ano de 1978 trouxe grandes transformações na Universidade Católica. Para a implantação da reforma universitária de 1968, a universidade adotou o modelo de centro e departamento. O Departamento de Psicologia passou a ser vinculado ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Os dirigentes receberam a denominação de chefe de departamento/coordenador de curso. Esta estrutura seria mantida até 1996, quando o então reitor, padre Geraldo Magela Teixeira, por meio da Portaria 31/96, restabeleceu a denominação de Instituto de Psicologia, com estrutura e funcionamento autônomos. Em 1980, por proposta dos professores Escípio da Cunha Lobo, então chefe do Departamento de Psicologia, Wanderley Chieppe Felippe, vice-chefe, e Tarcísio Guimarães Mendes, coordenador do Colegiado do Curso, ocorreu a intro dução do estágio clínico com atendimento em psicoterapia no currículo. Ao longo de dez anos de prática, o estágio cresceu e se diversifi cou. O novo currículo, aprovado em 1987 (Portaria R, 14/87), introduziu no curso a opção clínica. Sua implantação exigia melhores condições de infraestrutura para consolidar a prática clínica e viabilizar a oferta dos estágios fi cando confi gurado a necessidade de uma clínica, ou seja, um ambiente próprio para os atendimentos. Paralelamente,
observou-se uma diminuição das demandas de seleção feitas pelas grandes empresas ao SIPUC. A própria universidade dispensara, em 1985, a exigência de apresentação de laudo de aptidão psicológica para inscrição no concurso vestibular de seus cursos de Psicologia e Enfermagem. Os professores Ana Maria Sarmento Seiler Poelman e Wanderley Chieppe Felippe, então chefe e vice-chefe do Departamento de Psicologia, respectivamente, conduziram as negociações com a reitoria para a implantação da clínica. Em 1989, a universidade destinou-lhe uma sede própria, que foi inaugurada em março de 1990. Diversos tipos de atendimento passaram a ser oferecidos: psicoterapia de crianças, adolescentes, adultos, casal e família, psicodiagnóstico, psicologia hospitalar, orientação vocacional, psicopedagogia e terapia psicomotora. Um pouco mais tarde, as dependências da clínica, mais uma vez, se tornaram pequenas para comportar o trabalho que ali se realizava. Iniciaram-se novas negociações com a reitoria para a ampliação do espaço físico. A decisão do reitor, padre Geraldo Magela Teixeira, foi pela construção de um prédio novo, especialmente projetado para a clínica, em local destinado pela universidade, para sediar os diversos serviços da área da saúde. As professoras Ana Maria Sarmento Seiler Poelman e Lúcia Maria de Lima Mello, coordenadora e vice-coordenadora da clínica, conduziram as negociações com a reitoria. Em maio de 2002 foi inaugurada a sede da clínica, no prédio 44 do Campus Coração Eucarístico. A clínica se subordina administrativamente à direção do Instituto de Psicologia e se vincula, do ponto de vista acadêmico, ao Colegiado do Curso de Psicologia. É coordenada por dois professores. Conta com equipe técnica para suporte administrativo e dois monitores, estudantes de Psicologia. Conta ainda com o
Laboratório de Estudos Clínicos. Atualmente, o Instituto de Psicologia da PUC-Minas oferece o curso de Formação de Psicólogo em cinco unidades: Belo Horizonte (Unidade Coração Eucarístico e São Gabriel), Betim, Poços de Caldas e Arcos, com seus respectivos serviços de psicologia. O Instituto oferece também curso de mestrado em Psicologia, cuja área de concentração é Processos de Subjetivação.

Referências
POELMAN, A. M. S. S. História do Curso de Psicologia da PUC-Minas. Belo Horizonte: CRP-04, ano XIII, n. 54, jul./ago. 1996.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Projeto Educacional do Curso de Psicologia. Aprovado em reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, 2001.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. História da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, desde sua origem ao seu Jubileu de Prata, 1958 a 1983. Revista do Centro de Ciências Humanas. Belo Horizonte, v. 5, n. 6. 1987.

Maria de Fatima Lobo Boschi
Ana Maria Sarmento Seiler Poelman
Eveline Correa Miranda

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira (IMASJM)

Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira (IMASJM)

Fundada em 29 de março de 1924, inicialmente com o nome de Colônia de Alienados de Jacarepaguá, sua criação consistiu na transferência para o novo espaço das Colônias de São Bento e Conde de Mesquita, situadas na Ilha
do Governador. Estes hospitais haviam sido inaugurados em 1890, pela Assistência Médico-Legal a Alienados, órgão do Ministério do Interior dirigido por João Carlos Teixeira Brandão. Posteriormente, a Colônia de Jacarepaguá recebeu também os pacientes crônicos do Hospício Nacional de Alienados. Seu primeiro diretor foi João Rodrigues Caldas, que em 1909 já havia sido diretor das Colônias da Ilha do Governador. Em 1935, passou a chamar-se Colônia Juliano Moreira. Localizada na estrada Rodrigues Caldas, 3.400, Taquara, ocupa uma área de aproximadamente 7.800.000 m², registrada em nome da união. A área de preservação ambiental do Maciço da Pedra Branca, que fica nos limites de seu território, hoje se encontra sob gestão da FIOCRUZ. Inicialmente organizada em setores hospitalares e setores de casas funcionais, a instituição foi ganhando status de bairro a partir das invasões de suas terras, ocorridas durante a década de 1980. Estima-se sua população atual em 20 mil habitantes, organizados como uma comunidade autônoma ao hospital. Inaugurada sob a gestão do governo federal, foi municipalizada em 1996, passando a ser gerida pela prefeitura do
Rio de Janeiro, e desde então tem sido dirigida pelo médico Paulo Fagundes. Nesse período, o hospital recebeu o nome de IMASJM. A instituição é mantida pelo SUS, através do repasse das verbas das Autorizações de Internação Hospitalar (AIH). Os determinantes de sua criação podem ser divididos em duas categorias: os de ordem prática e os de ordem teórica. O primeiro inclui a superlotação dos prédios da Ilha do Governador e da Praia Vermelha, o fato de as terras da Ilha pertencerem à Ordem dos Padres Beneditinos e estes demonstrarem interesse na desapropriação destas, o interesse da Marinha em construir uma base aeronaval no espaço ocupado pelos hospícios, e principalmente o fato de as terras serem consideradas insalubres e impróprias para o cultivo agrícola. O segundo fator está relacionado ao conceito de degenerescência e o advento do higienismo e preventivismo, movimento que, no Brasil, ganhou visibilidade com a formação da Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM) em 1923 e que tinha entre seus membros Rodrigues Caldas e Juliano Moreira, então diretor-geral da Assistência a Alienados. Visando à prevenção, à profi laxia e ao combate à doença mental, a psiquiatria brasileira teve como foco de atuação o isolamento do doente, o controle e a vigilância das normas e condutas, não apenas dos alienados, mas da sociedade como um todo. Essas discussões levaram, no início dos anos de 1920, à reformulação e ampliação da assistência em duas direções: criação de serviços abertos (ambulatórios e enfermarias decurta duração) e de Hospitais-Colônias. Estes possuíam dois instru mentos teórico-técnicos fundamentais em seu modelo assistencial: a praxiterapia e a assistência heterofamiliar. O trabalho era considerado ordenador, moralizador, disciplinante e visava a resgatar o que restava de saudável no alienado. A assistência heterofamiliar era vista como uma transição entre o hospital e a volta à sociedade, na qual o processo contaria com uma família moralmente bem constituída que pudesse infl uen ciar a conduta do doente. A Colônia Juliano Moreira foi fundada neste contexto e até o ano de 1940 foram construídos 15 edifícios entre laboratórios, necrotérios, enfer marias, casas para funcionários, farmácia e oficinas de praxiterapia. Em 1967, era o terceiro hospital mais populoso do país, com 4.923 internos. Em 1980, o programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, realizou uma denúncia sobre violações dos direitos humanos e as precárias condições de vida dos internos. A partir deste evento, foram extintos as celas fortes e o eletrochoque, e iniciou-se o processo de reformulação da assis tência, com a contratação de outras categorias profissionais, dentre estas a de psicólogo, e o fechamento da instituição para internações de longa permanência. O processo previa o investimento em
projetos de reabilitação psicossocial, com o objetivo principal de promover o retorno dos pacientes à comunidade e a estruturação do atendimento em serviços abertos. Em 1994, foi elaborada a Proposta de Reformulação do Projeto Assistencial da CJM, que previa a construção de um Centro de Atenção Psicossocial (projeto que deu origem ao CAPS Bispo do Rosário), Projeto de Lares Assistidos (que previa o encaminhamento de pacientes para moradias na comunidade através do trabalho) e o Projeto de Lares de Acolhimento (que previa a transformação das enfermarias em espaços individualizados). Em 1996, a colônia foi municipalizada, passando a ser denominada IMASJM. Atualmente, a instituição conta com quatro unidades de longa permanência – Núcleo Teixeira Brandão, Núcleo Franco da Rocha, Núcleo Rodrigues Caldas e Núcleo Ulisses Viana, onde estão os internos remanescentes da antiga estrutura asilar. O IMASJM conta ainda com o Hospital Municipal Jurandyr Manfredini, que oferece os serviços de ambulatório aberto à comunidade, emergência psiquiátrica e três enfermarias psiquiátricas de curta e média permanência. O instituto também desenvolve programas que atendem a várias de suas unidades e à rede de saúde da cidade: Programa de Lazer Assistido, desenvolvido pela equipe do Clube de Lazer Colônia; Programa de Residências Terapêuticas, que realiza o trabalho de desospitalização e desinstitucionalização, reinserindo em seu ambiente familiar ou em residências na comunidade, pessoas que se encontram em hospitais psiquiátricos sem perspectiva de alta, por razões sociais; Museu Bispo do Rosário, que promove espaço para divulgação do trabalho de diversos artistas, usuários de serviços de saúde mental ou não. A instituição também atua na formação de novos profissionais, através de seus programas de estágio para alunos de graduação
e de sua especialização em Residência em Saúde Mental.

Referências
MINISTÉRIO DA SAÚDE/SMS-RJ. Proposta de Municipalização da Colônia Juliano Moreira. Rio de Janeiro, 1995.
ANDRADE, M. S. Democratização no Hospital Psiquiátrico. Um estudo da Colônia Juliano Moreira nos Anos Oitenta. Dissertação (Mestrado e Saúde Coletiva). Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1992.
LOUGON, M.; AZEVEDO, C.; SAYD, P. “Assistência psiquiátrica pública no Brasil: modelos e estratégias entre 1920-1940”. In: Cadernos de Psiquiatria Social, v. 2, n. 1, 1984.

Wilma Mascarenhas

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Laboratório de Psicologia da Escola de aperfeiçoamento

Laboratório de Psicologia da Escola de aperfeiçoamento

Laboratório de psicologia de aperfeiçoamento da secretária de educação do estado de Minas de Gerais.

Manicômio Heitor Carrilho

Manicômio Heitor Carrilho

Museu de Imagens do Inconsciente

Museu de Imagens do Inconsciente

É uma instituição pública municipal, de caráter assistencial e de formação. Foi fundado no dia 20 de maio de 1952 por Nise da Silveira. Possui como público-alvo pessoas internadas e egressas do Instituto Municipal de Assistência
à Saúde Nise da Silveira. É mantido com verba da prefeitura do Rio de Janeiro e da Sociedade de Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente. Seu endereço é rua Ramiro Magalhães, 521, Engenho de Dentro, Rio de Janeiro – RJ. O contexto de criação do Museu de Imagens do Inconsciente e de suas diretrizes de trabalho está intimamente relacionado com a trajetória de Nise da Silveira. Em 1944, quando foi criado o Centro Psiquiátrico Nacional (CPN), no bairro de Engenho de Dentro, Nise da Silveira foi trabalhar com Fábio Sodré, que havia introduzido as atividades ocupacionais para pessoas internadas na Seção Waldemar Shiller, destinada a quadros agudos. Tal proposta rompia com os critérios estipulados por Juliano Moreira de oferecer atividades ocupacionais somente para casos considerados crônicos. No ano seguinte, Fábio Sodré foi transferidode setor, cabendo a Nise da Silveira dar continuidade às atividades ocupacionais. Em maio de 1946, Nise da Silveira foi convidada por Paulo Elejalde, então diretor do CPN, para assumir a coordenação das atividades ocupacionais de todo o estabelecimento. Quando
Nise da Silveira foi trabalhar no CPN, a psiquiatria encontrava-se em pleno processo de renovação de suas técnicas, que possuíam como eixo o eletrochoque, a lobotomia e o coma insulínico. Nise da Silveira, que esteve presa durante a ditadura Vargas, comparava os novos métodos empregados na psiquiatria com as torturas que havia visto na prisão. Desta forma, sempre se posicionou contra tais métodos e concebeu a terapêutica ocupacional como um método não agressivo. As tarefas ocupacionais desenvolvidas no CPN, antes de Nise da Silveira assumir a coordenação, estavam limitadas a atividades como levar roupas sujas da enfermaria para a lavanderia, juntar estopa, varrer o chão. Foram substituídas por atividades de cunho expressivo como pintura, modelagem e teatro, pois Nise da Silveira se interessava pelos pensamentos e emoções das pessoas que se encontravam internadas. O trabalho da Seção de Terapêutica Ocupacional se constituiu como método de tratamento e pesquisa, além de garantir um núcleo de reserva ética indispensável para as subsequentes mudanças no campo da saúde mental. O ateliê de pintura foi aberto em 9 de setembro de 1946, tendo o artista plástico Almir Mavignier como monitor. Sua função era possibilitar as melhores condições para que o frequentador do ateliê pudesse se expressar livremente, funcionando como um afeto catalisador. A produção dos ateliês de pintura e modelagem da Seção de Terapêutica Ocupacional deu origem ao Museu de Imagens do Inconsciente. A qualidade artística de muitas obras chamou imediatamente a atenção e levantou importantes questionamentos acerca dos métodos de tratamento utilizados. A beleza das imagens servia de denúncia contra as práticas asilares. Antes mesmo da fundação do Museu, foram organizadas exposições das obras produzidas nos ateliês de pintura e modelagem. Em fevereiro de 1947, ocorreu uma exposição no Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, e em outubro de 1949 no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Essas duas exposições suscitaram muitos debates no campo da arte, principalmente entre Mário Pedrosa e Quirino Campofi orito. Ambos reconheciam o aspecto terapêutico do trabalho desenvolvido por Nise da Silveira, mas Campofi orito negava as qualidades artísticas das obras, enquanto Mário Pedrosa as reconhecia como verdadeiras obras de arte. Outro fator que chamava atenção era o aparecimento de formas circulares. De acordo com a psiquiatria clássica, a produção pictórica de pessoas com diagnóstico de esquizofrenia apresentaria formas fragmentadas. Diversos desenhos e pinturas dos arquivos do Museu
apresentavam essas características. No entanto, tão numerosas ou mais que as formas fragmentadas, podia-se observar a configuração de formas harmoniosas, simétricas, dispostas em torno de um centro e, principalmente, formas circulares. Nise da Silveira começou, então, a reunir imagens em forma circular, que rapidamente ultrapassaram uma centena. As pinturas do Museu levantavam enormes questionamentos no campo da psicologia. Os desenhos em forma circular ou tendendo ao círculo impressionaram Nise da Silveira de maneira especial. Ao final de 1954, enviou a C. G. Jung uma carta acompanhada de fotografias de alguns desses desenhos, na intenção de entender qual o signifi cado do aparecimento de formas harmônicas e circulares em produções de esquizofrênicos. Procurou, então, uma base teórica para explicar esses fenômenos, chegando, enfim, às concepções da Psicologia Analítica que, de maneira geral, relaciona a configuração espontânea de mandalas a um movimento de compensação inconsciente para a provável vivência de caos do campo da consciência. Ao longo dos anos, o Museu de Imagens do Inconsciente promoveu mais de cem expo sições em diversas cidades brasileiras e no exterior. A mais importante delas ocorreu duran te o II Congresso Mundial de Psiquiatria, em Zurique, Suíça, sendo a exposição aberta por Jung. A partir do contato com este último, Nise da Silveira imprimiu uma nova inflexão teórica no campo da saúde mental brasileira. As exposições invariavelmente atraíam um público expressivo, mas Nise da Silveira sempre frisou que as belas imagens que encantam o público não podem esconder o fato de os autores das obras terem configurado suas sofridas experiências dentro de um hospital psiquiátrico. Uma das principais características do trabalho desenvolvido por Nise da Silveira através do Museu de Imagens do Inconsciente foi levar as discussões do campo da saúde mental para toda a sociedade. Além das exposições e do contato com artistas plásticos como Almir Mavignier, Ivan Serpa e Abraham Palatnik, Nise da Silveira desenvolveu trabalhos com o ator Rubens Corrêa, que encenou uma peça, Artaud!, a partir de sugestão da médica, e, principalmente, com Leon Hirszman, com o qual produziu a trilogia cinematográfi ca Imagens do Inconsciente. Podemos acompanhar o desdobramento das obras de Fernando Diniz, Emygdio de Barros, Raphael Domingues, Adelina Gomes, Lúcio, Isaac Liberato, Carlos Pertuis, Octávio Ignácio, dentre outros, nos livros Imagens do Inconsciente e O Mundo das Imagens.

Referências
BOLSHAW, C. “Estrela de oito pontas:” a reconstrução do espaço em Fernando Diniz. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998.
GULLAR, F. Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1996.
MELO, W. Nise da Silveira. Rio de Janeiro/Brasília: Imago/Conselho Federal de Psicologia, 2001. MELO, W. Ninguém vai sozinho ao paraíso: o percurso de Nise da Silveira na Psiquiatria do Brasil. Tese (Doutorado em Psicologia Social). Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.
PEDROSA, M. (Org.). Museu de Imagens do Inconsciente. Rio de Janeiro: FUNARTE/Instituto Nacional de Artes Plásticas, 1980.
SILVEIRA, N. da. Jung: vida e obra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.
SILVEIRA, N. da. Teoria e prática da T.O. Rio de Janeiro: Casa das Palmeiras, 1979.
SILVEIRA, N. da. Imagens do inconsciente. Rio de Janeiro: Alhambra, 1981.
SILVEIRA, N. da. O mundo das imagens. São Paulo: Ática, 1992.
VOLMAT, R. L’Art Psychopathologique. Paris: Presses Universitaires de France, 1956.

Walter Melo

Fonte: Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil / Autor(a): Ana Maria Jacó-Vilela (org.) Imago Editora – Rio de Janeiro – 2011

Pedagogium

Pedagogium

O Pedagogium foi uma instituição governamental criada em 1890 como centro impulsor de melhorias da educação durante a Primeira República brasileira. O decreto 667 de 16 de agosto de 1890 especifica suas finalidades, setores, dispositivos, composição e hierarquia. Durante os sete primeiros anos funcionou na rua Visconde do Rio Branco, 13, tendo sido posteriormente transferido para rua do Passeio, 66. Sua atuação foi acanhada no cenário nacional, traço próprio ao período, tendo sido restrita ao âmbito distrital a partir de 1897 até seu fechamento em 1919. Teve como diretores Meneses de Vieira (1890 a 1897) e Manoel Bomfim (1897 a 1906 e 1910 a 1919). Publicou a Revista Pedagógica (1890-1896) que foi o instrumento de divulgação dos trabalhos ali realizados, da legislação sobre educação, de textos para professores, de traduções, de relatos de visitas a escolas de outros países, de homenagens, de bibliografia comentada. Em 1906 foi criado um laboratório de psicologia experimental a partir da experiência de seu diretor no laboratório de Alfred Binet e Alexandre Dumas em Paris.